Em boa hora a Associação Empresarial de Sintra lançou uma campanha de sensibilização designada #Sintrazul, que tem por objetivo alertar o concelho, sobretudo a comunidade empresarial, nos quais se destacam os responsáveis pelos estabelecimentos comerciais, para a necessidade urgente de reduzir a utilização do plástico nas suas atividades. Apesar do alvo específico desta campanha, a AESintra assume também o seu compromisso em sensibilizar os cidadãos em geral, nomeadamente os mais jovens, pela capacidade persuasiva que sempre evidenciam, em relação às gerações mais velhas.

Esta iniciativa surge, aliás, numa crescente dinâmica de iniciativas por todo o mundo para tentar inverter aquilo que já parece ser uma verdadeira praga ambiental. O enorme volume de plásticos que acaba nos oceanos e que tem um horizonte temporal de decomposição natural de centenas de anos, superior em muitos casos ao do decaimento de substâncias radioactivas, constitui uma ameaça crescente à manutenção de diversas espécies.

A utilização do plástico começou a ter um grande crescimento, em especial, a seguir à segunda guerra mundial, fruto de um grande desenvolvimento tecnológico, económico e industrial. De facto, muitos dos produtos que passaram a ser fabricados em plástico trouxeram grandes vantagens ao dia-a-dia das pessoas, desde logo pelo seu baixo custo. A diversidade de utilizações do plástico nunca parou de aumentar, estando há muito presente nos bens de uso doméstico e de consumo, nas embalagens, nos edifícios e na construção, no sector dos transportes, nos equipamentos eléctricos, na agricultura e mesmo na medicina.

O consumo anual de plástico ultrapassou já, a nível mundial, o número inimaginável de 320 milhões de toneladas, o que representa, em média, cerca de 45 kg por pessoa! Nos oceanos, estima-se que haja já cerca de 150 milhões de toneladas de plástico. De acordo com uma projecção das Nações Unidas, estima-se que em 2050 a quantidade de plástico que viaja à deriva nos oceanos, vai superar o número de peixes que naturalmente lá se encontram, se as atuais taxas de poluição se mantiverem. Por ano, 13 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos, principalmente garrafas, embalagens, palhinhas, correias de plástico e materiais de pesca.

Neste assunto, que é hoje um verdadeiro problema de sustentabilidade ambiental, com sérias consequências também ao nível económico e da saúde pública, há um aspecto em particular que me faz reflectir com muita preocupação. Trata-se, no fundo, de constatar como é que a humanidade não conseguiu antever, em tempo devido, o que era mais ou menos evidente que iria acontecer. Tal como em muitas outras coisas. Parece que estamos destinados a querer só atacar os problemas quando eles já são grandes demais. Espero que saibamos tirar as devidas ilações para outros problemas que surgirão no futuro.

 

Nota: Este artigo integra a edição 22 do Jornal Economia Local

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